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Gostei da foto, a atriz é brasiliense!, tesões.

Escrito por christian theodore às 15h48
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Participei do filme mas não saí na telona
Crítica Especial do Filme "A CONCEPÇÃO" por Marcelo Hailer - marcelo.hailer@gmail.com Clique Aqui e conheça a Equipe Cranik
 A CONCEPÇÃO - (IMOVISION)
Direção: José Eduardo Belmonte
CRÍTICA: A CONCEPÇÃO - Para que servem os nossos nomes, se no final das contas o que conta é a nossa pessoa e as atitudes que tomamos perante amigos e parceiros amorosos. E se temos nomes, por que então, pra tudo que vamos fazer são os números que nos pedem: CPF, RG, Nº da conta etc. E o nome nessa história não passa de um mero coadjuvante! Parece-lhe anarquista esta introdução? Pois é, o filme “A concepção”, dirigido por José Eduardo Belmonte e dos mesmos produtores de “Amarelo Manga”, Olhos de cão, não é um soco, é um chute no estômago, e vai um pouco além do anarquismo. A humanidade está doente. O filme se passa em Brasília, começa com o cotidiano de alguns jovens filhos de diplomatas que trabalham fora do Brasil. Vivem em um apartamento Alex, Lino e Liz. São todos jovens e com um grande fator em comum: não agüentam mais o tédio do Distrito Federal. Esse tédio vai dar lugar a outras sensações. Tudo muda quando Lino e Alex vão a zona e lá conhecem X, personagem sem nome e sem história, mestre em falsificar documentos e alquimista. Os dois rapazes logo se interessam pelas idéias de X, os três encerram a noite nos lençóis. No dia seguinte, X propõe a formação de um falso movimento, A Concepção, que prega entre outras coisas como, a morte do ego, abolir o dinheiro, o caminho do excesso, nem que pra isso seja necessário o uso de drogas, viver cada dia como se fosse o último. O que querem os concepcionistas? Nada, querem a morte do ser a cada 24 hs, abrir mão dos números, dos cartões, fraudar pessoas, ser um alguém a cada dia, se relacionar com pessoas sem distinção de sexo. Conceda-te esse momento de liberdade, abra mão de ser quem você pensa que é...O caminho é mais ou menos esse. Então, ta a fim de ser um concepcionista?
Gênero: Drama Duração: 96 min. Ano: Brasil - 2006 Distribuição: Imovision Direção: José Eduardo Belmonte Roteiro: Luís Carlos Pacca e Breno Álex
 Cena do Filme A CONCEPÇÃO (Foto Divulgação)
Filme:   
Ótimo:     Bom:    Regular: 
Crítico: Marcelo Hailer - Jornalista - marcelo.hailer@gmail.com | |
Escrito por christian theodore às 15h46
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Escrito por christian theodore às 17h57
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Escrito por christian theodore às 17h56
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Escrito por christian theodore às 17h54
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Escrito por christian theodore às 17h53
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Escrito por christian theodore às 17h53
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Ainda Botero

Escrito por christian theodore às 17h51
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Escrito por christian theodore às 17h50
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A arte que revela o que não ninguém pode revelar

Escrito por christian theodore às 17h49
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Escrito por christian theodore às 17h48
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Escrito por christian theodore às 17h47
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Escrito por christian theodore às 17h46
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Botero e seu Guernica
ABU Ghraib
Escrito por christian theodore às 17h45
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Soy loco por ti América
28/11/2006
O longo ciclo eleitoral latino-americano
Com o triunfo de Rafael Correa no Equador e as reeleições praticamente asseguradas de Hugo Chávez e de Nestor Kirchner, se conclui o longo ciclo eleitoral latino-americano, iniciado com o triunfo de Evo Morales na Bolívia, em dezembro de 2005. Seguiu-se com as eleições de Michele Bachelet no Chile, de Oscar Arias na Costa Rica, de Alan Garcia no Peru, de Lula no Brasil, de Álvaro Uribe na Colômbia, de Daniel Ortega na Nicarágua, e de Felipe Calderón no México.
São 11 eleições, incluindo os países de maior peso no continente – Brasil, México, Argentina, Venezuela, Colômbia, Chile, Peru –, das quais quatro foram reeleições – Lula, Uribe, Hugo Chávez, Kirchner –, duas mais continuações dos governos anteriores – Calderón e Bachelet, com três mudanças significativas de políticas – Bolívia, Equador, Nicarágua.
O pólo que prioriza os processos de integração regional viu a incorporação da Bolívia e do Equador – talvez até mesmo da Nicarágua, mantendo o Brasil, a Argentina e a Venezuela, enquanto o pólo favorável aos tratados bilaterais manteve a Colômbia, o México e o Chile, ganhando o Peru e a Costa Rica. (Ainda que a nova maioria democrata no Congresso dos EUA questione os tratados que estão por ratificar com a Colômbia e o Peru, deixando aberta esta possibilidade.)
Poderia parecer, aritmeticamente, um resultado empatado. No entanto, se fortaleceu o bloco favorável aos processos de integração regional. As vitórias de Lula, de Kirchner, de Hugo Chávez consolidam o eixo fundamental nesses processos, que ganham alguns anos para avançar na consolidação, extensão e aprofundamento no Mercosul, na Comunidade Sul-Americana de Nações, na Alba. O ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercosul e a reunião de Córdoba expressam novo dinamismo do acordo, com a integração da Bolívia e a aproximação de Cuba. A participação do Equador bloqueará a formação de um bloco andino favorável ao livre comércio, além das mencionadas dificuldades trazidas pela maioria protecionista democrata no Congresso dos EUA.
Além disso, a vitória de Calderón foi muito questionada no México e tanto nesse país quanto na Colômbia – com Lopez Obrador e com Carlos Gaviria – a esquerda teve um desempenho muito bom, situando-se como a segunda força política nesses países. Da mesma forma a disputa no Peru foi acirrada, com a candidata abertamente neoliberal – Lourdes Flores – ficando fora do segundo turno.
Estas observações configuram um desgaste significativo da votação dos partidos que defendem programas neoliberais, com expansão do voto à esquerda – mais radical nos casos da Bolívia, do Equador e da Venezeula -, mais moderada nos casos do Brasil, da Argentina e da Nicarágua.
O triunfo de Rafael Correa no Equador é a culminação das mobilizações populares que, em abril deste ano, impediram que o país assinasse um tratado de livre comércio com os EUA. Ainda assim, Álvaro Novoa pretendia retomar essa via, fazendo com que, em parte, o segundo turno tivesse sido um plebiscito sobre o futuro do Equador. A vitória de Correa consolida a opinião majoritária dos equatorianos de crítica às vias adotadas pelos três últimos presidentes eleitos, todos derrubados por mobilizações populares, por tentar manter o modelo neoliberal.
O cenário político continua favorável à esquerda no continente – que, agora, ainda pode contar com eventuais defecções no outro campo, especialmente do governo de Alan Garcia, pela resistência democrata no Congresso dos EUA -, que pode aproveitar para consolidar e principalmente avançar decididamente no caminho da integração latino-americana.
Postado por Emir Sader às 08:22
Escrito por christian theodore às 17h43
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Aluna da oficina de design, Caterina chegou ao Mamori com a tarefa dada pelo professor espanhol Curro Claret de criar um “souvenir inteligente” – isto é, uma lembrança menos estereotipada do que a maioria que se costuma encontrar no mercado. Pela manhã, ela teve aulas teóricas, escutou sobre a história do artesanato, viu filmes que tinham uma linguagem lúdica... e temperou as atividades intelectuais com ba-nhos de rio e partidas de futebol na comunidade de Terras Altas. Ao final de cada um dos sete dias, o grupo de alunos se reúne para trocar percepções e discutir como as impressões da mata poderiam repercutir em seus produtos. Depois de conviver com uma família por três dias, Caterina apresentou sua bola feita de palha de açaí. “Este é um lugar em que a criatividade flui: a falta de interferência faz com que você entre em comunicação com o entorno”, analisa Caterina. Milene Nelson criou um chapéu multissensorial inspirado na artista plástica Lygia Clark. A peça de alumínio tem espelhos retrovisores para dar visão total a seu usuário e conchas acústicas para ampliar os barulhos da mata. A estilista Stephanie Lipovacci desenhou uma calça jeans com providenciais botas acopladas numa estampa de cobra. A artista plástica colombiana Laura Ardilla criou comprimidos de Malarex, supostamente para curar a malária. Parecem apenas produtos engraçadinhos? Mas a turma do Mamori quer se envolver cada vez mais na vida da comunidade local. Já visitou a escola da região e deixou lá um abrigo feito por um revestimento natural. Em setembro último, os participantes do workshop de cinema organizaram sessões de filmes para a comunidade de Terras Altas, nas margens do lago, com imagens projetadas de um barco. |
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Comprou lote pela web O Mamori Art Lab foi criado “meio que por acaso”. Ao menos, é assim que gostam de contar dois de seus criadores – Martí e o fotógrafo Asier Gogortza, também espanhol. Um amigo deles, Marco Ruiz, procurava na Internet uma garagem e acabou navegando por um site que oferecia terrenos na Amazônia. Entusiasmado, comprou um lote. Sem saber se o terreno de fato existia, embarcou com os amigos Asier, Nacho e Jorge Llorella para o Admirável Novo Mundo. Chegaram a Manaus, tomaram um barco rápido até a outra margem do rio Negro, viajaram 40 quilômetros numa Kombi e pegaram uma canoa até as margens do Mamori, onde ficava o lote. O terreno não só existia como rendeu idéias aos quatro amigos – que voltaram para casa com o projeto de criar uma escola. Um ano depois, o elétrico trio organizou o primeiro workshop com alunos europeus. “Nossa maior dificuldade foi combater os mitos da Amazônia: as piranhas e as anacondas”, ironiza Nacho, professor de design da Elisava, escola superior de desenho de Barcelona, sobre os temores de seus alunos em deixar a Catalunha em direção ao trópico. Nacho e seus colegas, criadores do Mamori, foram chamados de “esnobes” por alguns compatriotas. Estes perguntavam se era preciso ir até a Amazônia para criar. “Não dá para ir aos Pireneus, que é mais perto?”, alfinetaram. Porém, a iniciativa deu certo – e o programa foi até mesmo chancelado pelo governo da Catalunha, seu patrocinador. “A experiência criativa no Amazonas é muito diferente da que os participantes poderiam ter em suas cidades de origem: na mata, os diferentes estímulos ainda não estão decodificados. Isso permite um olhar mais livre... menos comprometido com o entorno”, reflete Nacho. E ele nem falou da paisagem.
Mamori Art Lab Chegar ao lago Mamori não é fácil. Está a cinco horas de Manaus numa gaiola (barco típico da região). Os organizadores do Mamori Art Lab optaram por um caminho mais curto: viajam com os estudantes de avião a Manaus e de lá pegam uma voadora, uma Kombi e uma canoa motorizada para chegar até a sede da escola – o que leva umas três horas. O custo dos workshops nas áreas de fotografia, arquitetura, som e design é de 650 euros para estudantes. Aí se incluem hospedagem e refeições durante os 10 dias dos cursos. A passagem aérea a Manaus fica por conta dos alunos. As oficinas acontecem em julho, agosto e setembro; inscrições podem ser feitas pelo site www.malab.net. |
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Escrito por christian theodore às 17h37
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Aluna da oficina de design, Caterina chegou ao Mamori com a tarefa dada pelo professor espanhol Curro Claret de criar um “souvenir inteligente” – isto é, uma lembrança menos estereotipada do que a maioria que se costuma encontrar no mercado. Pela manhã, ela teve aulas teóricas, escutou sobre a história do artesanato, viu filmes que tinham uma linguagem lúdica... e temperou as atividades intelectuais com ba-nhos de rio e partidas de futebol na comunidade de Terras Altas. Ao final de cada um dos sete dias, o grupo de alunos se reúne para trocar percepções e discutir como as impressões da mata poderiam repercutir em seus produtos. Depois de conviver com uma família por três dias, Caterina apresentou sua bola feita de palha de açaí. “Este é um lugar em que a criatividade flui: a falta de interferência faz com que você entre em comunicação com o entorno”, analisa Caterina. Milene Nelson criou um chapéu multissensorial inspirado na artista plástica Lygia Clark. A peça de alumínio tem espelhos retrovisores para dar visão total a seu usuário e conchas acústicas para ampliar os barulhos da mata. A estilista Stephanie Lipovacci desenhou uma calça jeans com providenciais botas acopladas numa estampa de cobra. A artista plástica colombiana Laura Ardilla criou comprimidos de Malarex, supostamente para curar a malária. Parecem apenas produtos engraçadinhos? Mas a turma do Mamori quer se envolver cada vez mais na vida da comunidade local. Já visitou a escola da região e deixou lá um abrigo feito por um revestimento natural. Em setembro último, os participantes do workshop de cinema organizaram sessões de filmes para a comunidade de Terras Altas, nas margens do lago, com imagens projetadas de um barco. |
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Comprou lote pela web O Mamori Art Lab foi criado “meio que por acaso”. Ao menos, é assim que gostam de contar dois de seus criadores – Martí e o fotógrafo Asier Gogortza, também espanhol. Um amigo deles, Marco Ruiz, procurava na Internet uma garagem e acabou navegando por um site que oferecia terrenos na Amazônia. Entusiasmado, comprou um lote. Sem saber se o terreno de fato existia, embarcou com os amigos Asier, Nacho e Jorge Llorella para o Admirável Novo Mundo. Chegaram a Manaus, tomaram um barco rápido até a outra margem do rio Negro, viajaram 40 quilômetros numa Kombi e pegaram uma canoa até as margens do Mamori, onde ficava o lote. O terreno não só existia como rendeu idéias aos quatro amigos – que voltaram para casa com o projeto de criar uma escola. Um ano depois, o elétrico trio organizou o primeiro workshop com alunos europeus. “Nossa maior dificuldade foi combater os mitos da Amazônia: as piranhas e as anacondas”, ironiza Nacho, professor de design da Elisava, escola superior de desenho de Barcelona, sobre os temores de seus alunos em deixar a Catalunha em direção ao trópico. Nacho e seus colegas, criadores do Mamori, foram chamados de “esnobes” por alguns compatriotas. Estes perguntavam se era preciso ir até a Amazônia para criar. “Não dá para ir aos Pireneus, que é mais perto?”, alfinetaram. Porém, a iniciativa deu certo – e o programa foi até mesmo chancelado pelo governo da Catalunha, seu patrocinador. “A experiência criativa no Amazonas é muito diferente da que os participantes poderiam ter em suas cidades de origem: na mata, os diferentes estímulos ainda não estão decodificados. Isso permite um olhar mais livre... menos comprometido com o entorno”, reflete Nacho. E ele nem falou da paisagem.
Mamori Art Lab Chegar ao lago Mamori não é fácil. Está a cinco horas de Manaus numa gaiola (barco típico da região). Os organizadores do Mamori Art Lab optaram por um caminho mais curto: viajam com os estudantes de avião a Manaus e de lá pegam uma voadora, uma Kombi e uma canoa motorizada para chegar até a sede da escola – o que leva umas três horas. O custo dos workshops nas áreas de fotografia, arquitetura, som e design é de 650 euros para estudantes. Aí se incluem hospedagem e refeições durante os 10 dias dos cursos. A passagem aérea a Manaus fica por conta dos alunos. As oficinas acontecem em julho, agosto e setembro; inscrições podem ser feitas pelo site www.malab.net. |
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Escrito por christian theodore às 17h37
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Seu Zeca já se acostumou com o barulho do gerador de luz que vem da casa ao lado, conhecida pela comunidade do Lago Mamori como “o albergue do espanhol”, situado num fim de mundo a oito horas de Manaus. O povo da casa passa noites inteiras com o gerador ligado – hábito sofisticado numa área humilde, onde as famílias vivem da venda do peixe e do cultivo da mandioca. “Eles são gente boa. Ficam acordados, trabalhando”, aponta Seu Zeca, que costuma ir para a cama quando o gerador da pousada na qual trabalha avisa que são dez da noite.
O “albergue do espanhol” reúne gente de passaportes tão diversos quanto o filme de quase mesmo nome, O Albergue Espanhol, de Cédric Klapisch, que retrata jovens de várias nacionalidades descobrindo as alegrias e imbróglios da convivência sob o mesmo teto. No entanto, a pequena casa de madeira em meio à floresta amazônica não é um hotel juvenil. É a sede do Mamori Art Lab, uma espécie de tribo da criatividade no meio da selva. Ali, há dois verões (europeus), estudantes e profissionais da música, design, fotografia, arquitetura e cinema do mundo todo criam projetos inspirados pela exuberância do verde e pela placidez do lago – curiosamente descrito pelo caboclo amazonense como “um rio cercado de terra por todos os lados”. É para ouvir comentários como esse, “de raiz”, que o Mamori Art Lab foi criado. “Aqui, os alunos enriquecem seu campo de experiências, desintoxicam e renovam seu olhar”, explica o designer espanhol Nacho Martí, um dos criadores da escola.
Souvenir inteligente Na casinha verde com teto de palha que se mimetiza com a mata, grupos de sete a 12 alunos dormem, comem e produzem composições com sons da selva, objetos com design inspirados na arquitetura da natureza e projetam abrigos e casas com materiais locais. Entre as décadas de 1960 e 1980, universitários brasileiros participaram do Projeto Rondon – plano criado pelo governo militar que levou centenas de voluntários a regiões carentes do país durante as férias. O Mamori Art Lab lembra essa jornada ao interior da Amazônia – mas é paga em euros (cerca de 650) e tem o objetivo de gerar produtos culturais. Sinal dos tempos. A iniciativa mais parece a Fabrica, escola criada pela Benetton no norte da Itália para estimular a criatividade de seus participantes. Ao contrário da experiência italiana, no entanto, o Mamori Art Lab não restringe a participação a estudantes de até 25 anos – algo fundamental, em se tratando de liberdade de criação. Entre os 36 participantes dos workshops estão desde jovens em curso universitário até um sessentão com vasta experiência na construção de telhados com a palha da área. E quem é a tribo de branquelos que trabalha durante a noite nos computadores da Apple e durante o dia coleta impressões e inspirações na selva? Uma delas é a designer Caterina Hering, que estuda na filial paulistana do IED (Istituto Europeo di Design). » continua | |
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Escrito por christian theodore às 17h34
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Aula não Mato
Escrito por christian theodore às 17h33
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Valeu mano WTy, amigo do hip-hop
Risco de morte violenta é três vezes maior nas cidades mais pobres
Érica Montenegro Do Correio Braziliense
27/11/2006 08h38- Noite de quinta-feira. O rapper Wty atende o telefonema de uma repórter interessada em saber a opinião dele sobre distribuição de renda e violência urbana. Ela fala do Plano Piloto. Junto com os lagos Sul e Norte e os condomínios do Jardim Botânico, a parte mais nobre da capital tem renda per capita de R$ 2.324 e uma taxa de assassinatos de 12 para cada grupo de 100 mil. Wty está em São Sebastião, cidade incluída dentro do grupo das mais pobres e perigosas do Distrito Federal. Só no ano passado, morreram 17 pessoas na guerra das ruas na cidade.
Wty já tem mais de 10 anos no rap, mas, só agora, quando a tecnologia facilita um pouco a vida de músicos sem contratos com gravadoras, consegue lançar o primeiro CD. Inicialmente, ele nega a entrevista. Argumenta que o assunto lhe diz respeito, mas que, no dia seguinte, não pode porque tem um compromisso importante, inadiável, mas no fim acaba concordando. Sexta-feira, final da manhã, Wty espera na empoeirada rua principal de Arapoanga, condomínio de baixa renda de Planaltina. De carro, está a 40 minutos do endereço atual. Mas, sem carro, precisa vencer dois ônibus antes de chegar a São Sebastião. Wty chama-se Tarcísio de Souza, de 33 anos e pai de três filhos. O compromisso inadiável era uma reunião na escola de Derick, 13 anos, o mais velho. Foi cumprido sem prejuízos. “Sou separado da mãe dele, mas faço o possível para estar presente”.
Os números mostram que Wty e os outros moradores de São Sebastião e mais os de Brazlândia, Ceilândia, Samambaia, Paranoá, Santa Maria, Recanto das Emas e Itapoã correm três vezes mais risco de serem mortos de forma violenta do que os do Plano Piloto, lagos Sul e Norte e condomínios do Jardim Botânico. Nas oito cidades mais pobres e perigosas do DF vivem 873 mil pessoas, com renda per capita de R$ 452. Para cada grupo de 100 mil habitantes, são 36 homicídios ou latrocínios por ano. “Eu sei disso, minhas letras falam disso”, afirma Wty.
Levando em conta o outro grupo de cidades do DF — as com faixa de renda intermediária —, Wty e os vizinhos continuam perdendo. A região, com renda per capita de R$ 921, registra taxa de assassinatos de 26 para cada 100 mil moradores, ou seja, 27% a menos do que nas áreas mais carentes. Mas o grupo intermediário não é nenhum paraíso, está acima da média nacional de 23,8 homicídios e latrocínios para 100 mil habitantes. Entretanto, pode ser considerado relativamente próspero e tranqüilo, se o referencial tomado em conta for o de Wty.
Renda De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais de 2005 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Distrito Federal, a sede do poder, está entre as três unidades da Federação mais desiguais do país. Em outras palavras, significa que o rendimento dos 10% mais ricos é 21 vezes maior do que o rendimento dos 40% mais pobres. A distância entre o maior e a menor média salarial corresponde a 17 mínimos — de R$ 6.490 para R$ 305.
Cruzando a renda fornecida pela Pesquisa de Emprego e Desemprego com as estatísticas policiais de homicídio e latrocínio registradas em 2005, descobre-se que, para além, do orçamento folgado e da geladeira cheia, a diferença social implica também no risco real de perder a vida depois de tomar um tiro, uma facada ou ser espancado.
“A violência contra a pessoa é prima-irmã da falta de esgoto, da escola quebrada, da praça suja”, afirma Roberto Aguiar, professor de Direito da Universidade de Brasília (UnB) e ex-secretário de Segurança do DF e do Rio de Janeiro. A violência contra a pessoa corresponde a latrocínios, homicídios e agressões. É diferente da violência contra o patrimônio, expressa em assaltos e roubos — seja de dinheiro, de residência, de veículo ou de comércio. “No Brasil, se protege mais o patrimônio do que a pessoa. Basta ver o Código Penal”, avalia Aguiar.
Na periferia do DF, o autor dos crimes e a vítima se confundem. Quem mais mata e quem mais morre são os jovens do sexo masculino. Os motivos costumam ser banais, brigas entre grupos rivais, acertos de dívidas contraídas por conta do consumo de drogas e até mesmo desentendimentos entre amigos que acabam em troca de tiros. Nestas regiões, resiste ainda uma espécie de culto à malandragem, com os “malas” – garotos considerados mais fortes, ousados e corajosos e geralmente donos de armas, sendo mais assediados pelas meninas e mais respeitados pelos demais.
Briga Rodrigo Silva, 24 anos, morador de Ceilândia, tem sete cicatrizes de tiro espalhadas pelo corpo. A última foi resultado de uma briga comprada para vingar uma namorada. “Ela me disse que havia sido estuprada, eu não deixei barato”. Condenado por tentativa de homicídio, Rodrigo passou quatro meses e 12 dias preso no Núcleo de Custódia, que fica no Complexo da Papuda. Ele conseguiu progressão da pena e hoje presta serviço comunitário em uma escola da cidade. É professor de teatro. Pelo carinho demonstrado pelos alunos na hora do recreio, deve ser um bom professor.
Conhecido como Maldock por conta das pichações que fazia nos muros de Ceilândia, Rodrigo jura que não quer mais confusão com ninguém. O ponto de virada deu-se há dois anos, no primeiro dia na prisão. “Pensei em quantas vezes já havia visto minha mãe chorar e decidi que, desde aquele dia, eu só iria provocar sorrisos nela”. Do início do ano para cá, vieram os primeiros.
Uma das letras de rap de Rodrigo foi escolhida para fazer parte do livro Os manos da quebrada, publicação bancada pela Subsecretaria de Direitos Humanos, da Presidência da República. Outra rima dele concorre em um concurso nacional cujo prêmio será a participação em uma faixa no novo CD dos Racionais MCs, do paulista Mano Brown. Mano Brown divide com o carioca MV Bill o título de “ a voz da periferia”. Os dois são a “santidade” do rap brasileiro.
Mas, por que a “quebrada” de Wty e de Maldock é tão violenta? Por causa de uma assustadora combinação de “faltas”, cuja mais perversa é a de futuro. “Faltam posto de saúde, policiamento, urbanização, opções de lazer, ensino de qualidade, formação profissional, emprego...”, enumera Lourdes Bandeira, professora de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), em uma lista que parece não ter fim. Acrescente às “faltas”, o apelo incessante do consumo, que atinge todas as classes sociais, e a facilidade em se obter armas, característica das regiões com menor controle da polícia. Rodrigo comprou o primeiro revólver dele aos 11 anos, de um policial.
“O Estado, ao se omitir, acaba empurrando a população mais vulnerável para a marginalidade”, afirma a professora Lourdes Bandeira. Opinião parecida a do sociólogo Helder Ferreira, pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea): “A desigualdade de oportunidades, de chances na vida, é tamanha que o crime aparece como uma alternativa atraente para a obtenção de renda”.
Escrito por christian theodore às 18h51
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