A ralé
A desideologia brasileira reinventa a ralé, absolutamente incorreta.
O Brasil gosta mesmo de copiar a cultura estadunidense, tudo o que é moda lá depois de um tempo vira moda aqui, inclusive o pensamento ideológico dominante. Foi assim com os filmes e a cultura de Hollywood e é até hoje. Graças a Deus recuperamos um pouco da tradição do cinema nacional destruída pelo Collor.
Mas foi assim com as privatizações, foi assim com o neoliberalismo e tem sido assim com o termo “politicamente correto”. A elite brasileira vestiu isso como uma luva.
E que miséria é essa afinal, do politicamente correto. Isso vem dos Estados Unidos e tem haver com boa educação, com elegância, modo de falar e de não reclamar. Não ser esbaforido. Enfim ser “clean”, que na tradução não seria claro mas passivo. Ou seja o politicamente correto dá, se entrega, sem reclamar, sem dizer um simples ai se doer um pouquinho. Não, não é politicamente correto dizer ai.
Essa excrescência dura e muito até hoje na cultura recente brasileira e tem sido uma dificuldade tirá-la da tradição conservadora e arraigada na sociedade. Os próprios artistas norte-americanos já tem criticado esse termo há um bom tempo. Mas no Brasil não é elegante ficar falando muito de regras do bom convívio na sociedade.
Isso serve muito bem a nosso pobre país sem educação e sem distribuição de renda, pois faz o discurso do dominador, do detentor da bufunfa, mais forte! Ele é o politicamente correto, que não defeca, não flatula e nem urina, se urina urina champagne de preferência das francesas de valores muito mais vultosos que os salários de seus empregados.
Mas os seus empregados que cagam, peidam e mijam esses não podem não serem politicamente corretos pois seriam simplesmente ralé!
Assim também são os detentores dos meios de comunicação, todos politicamente corretos. Dizem eles: - Chavez é um populista! não cabe mais na política ser populista e com esse discurso é George o democrata republicano de olhos azuis e estirpe nobre, do norte, da verdadeira e rica América!
Aqueles que gritam e esbravejam são meio-índios e meio-loucos que não merecem a menor credibilidade do Brasil que quer e deve ser tão politicamente correto como o nobre Estados Unidos. Até fomos uma vez, os Estados Unidos do Brasil, quem não se lembra! Se nós fomos os Estados Unidos do Brasil, eles são Estados Unidos de onde?
Urge desenvolver e propagar o enaltecimento da ralé. E me parece que o presidente Lula mesmo ainda dizendo algumas bobagens como o tal do “ponto G”, no discurso com o Bush, já está longe de representar essa ralé que não quer ser politicamente correta. Ele parece cada vez mais a vontade dentro da ideologia que esse termo carrega.
Portanto é preciso coçar o saco, o suvaco, dizer palavrão, palitar os dentes, andar de chinelo pegando na unha encravada, tirar meleca, peidar, cagar e mijar livremente e finalmente xingar e reivindicar nossos direitos para confrontarmos com esse termo tão falacioso e carregado de preconceito que serve somente a manutenção do “status quo” muito bem adequado para os detentores da bufunfa, portanto a partir de hoje para esses seremos sub-seres, os absolutamente incorretos.
Escrito por christian theodore às 21h31
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