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   políticas sociais

MARTA SALOMON
da Folha de S.Paulo, em Brasília

O governo federal vai pagar, a partir de 2008, R$ 1.500 a famílias que acolham de volta crianças levadas a abrigos por pobreza. A medida faz parte de um pacote de enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança hoje, véspera do Dia da Criança. Um dos principais objetivos é reduzir o ritmo de encarceramento de adolescentes infratores.

Ainda não foram identificadas as famílias que receberão, em cota única, o dinheiro do governo federal. Isso dependerá de um censo encomendado ao Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

A Secretaria Nacional de Direitos Humanos calcula que 24% das 120 mil crianças que vivem em abrigos tenham sido levadas para essas instituições, destinadas a vítimas de violência, pela pobreza das famílias. Haverá contrapartidas, ainda não definidas, ao pagamento.

Dados da secretaria mostram também que quase quadruplicou o número de adolescentes internados por prática de violência entre 1996 e 2006. Atualmente, faltariam 3.000 vagas no sistema e haveria mais de 600 adolescentes em cadeias públicas. A intenção do governo é agir para que o internamento seja, de fato, uma medida excepcional e transitória.

"Precisamos virar a página, fazer o desmonte da Febem", disse Carmen Silveira de Oliveira, subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, referindo-se aos reformatórios da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor, criados nos anos 70. "A Febem não existe mais no nome, mas existe na prática."

O pacote prevê gastos de R$ 199 milhões na reforma e construção de 49 unidades de internação. As medidas para evitar o encarceramento de jovens devem consumir R$ 534 milhões entre 2008 e 2010. Ao todo, a previsão de gastos é de R$ 2,9 bilhões até 2010, vindos de 14 ministérios e de estatais.

As medidas incluem o financiamento de serviços de acompanhamento de adolescentes que atuem na comunidade e a aceleração da escolaridade nas unidades de internação, que deverão ter bibliotecas, ambulatórios e quadras esportivas.

Segundo Carmen, em cidades como São Carlos (SP), onde o sistema aberto de cumprimento de medidas socioeducativas funciona bem, o índice de reincidência é baixíssimo. Em 60% das capitais, não há programas do tipo.

Os locais das 26 novas unidades de internação -para até 90 adolescentes- ainda estão indefinidos, pois isso depende de acordo com os Estados. A situação é mais crítica em PE e no RJ, diz a secretaria. SP, que já teve metade dos internos do país e reduziu o índice a 39%, foi apontado como "exemplo".

Outra meta é criar, até 2009, um cadastro nacional de adoção, para facilitar a troca de dados entre cidades e conter a adoção internacional. "Os números são obscuros e se prestam até a um suposto comércio de crianças", diz Carmen.



Escrito por christian theodore às 10h14
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   sai o prêmio nobel de literatura 2007

da Folha Online

A escritora Doris Lessing, 87, ganhou o Nobel de Literatura 2007. O anúncio foi feito pela Academia Sueca às 8h (horário de Brasília) desta quinta-feira (11). O júri descreveu Doris Lessing como "a narradora épica da experiência feminina, que com ceticismo, ardor e uma força visionária escruta uma civilização dividida".

Seu trabalho, bastante influenciado pelo tempo em que viveu na África, explora a divisão entre brancos e negros. Além de conflitos raciais, a obra da autora também aborda questões feministas e a violência contra as crianças.

Ulrich Perrey/Efe
Romancista Doris Lessing leva o Nobel de Literatura, anuncia Academia Sueca
Romancista Doris Lessing leva o Nobel de Literatura, anuncia Academia Sueca

Ela completará 88 anos no próximo dia 22 de outubro. Escritora nascida em um território que hoje é o Irã, Doris viveu mais de 20 anos no Zimbábue e se radicou na Inglaterra. Recebeu diversos prêmios literários na Europa. Em outros anos, o nome de Doris já era mencionado como competidora.

Entre suas obras, estão "Debaixo de Minha Pele", "As Experiências de Sirius", "Shikasta" e "O Sonho mais Doce". Seu primeiro livro chama-se "The Grass is Singing", de 1950. Outros trabalhos importantes da autora são "The Summer Before Dark", de 1973, e "The Fifth Child", de 1988.

O prêmio será entregue no dia 10 de dezembro em Estocolmo. O valor é equivalente a US$ 1,5 milhão.



Escrito por christian theodore às 08h06
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   o meu pequeno-grande senador Jefferson peres

10/10/2007 - 12h11

Jefferson Peres vai relatar 3º processo contra Renan e promete texto até o dia 2

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da Folha Online, em Brasília

O senador Jefferson Peres (PDT-AM) aceitou o convite do presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO) para relatar o terceiro processo por quebra de decoro contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Neste processo, Renan é acusado de usar "laranjas" para comprar um grupo de comunicação em Alagoas.

26.set.2007/Folha Imagem
Jefferson Peres promete apresentar relatório técnico
Jefferson Peres promete apresentar relatório técnico

Apesar de ser favorável ao afastamento de Renan, Peres disse que vai fazer relatório técnico sobre as denúncias. "O parecer tem de ser baseado em provas. Se for um julgamento político, pode ser injusto."

Peres afirmou que agora vai montar cronograma de trabalho e pedirá ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), cópia da investigação já realizada sobre o caso --inclusive a íntegra do depoimento do usineiro João Lyra.

Ex-aliado de Renan, Lyra é considerado peça fundamental para que o caso seja investigado. Lyra afirma que comprou um grupo de comunicação em sociedade de Renan com o uso de laranjas na operação, entre eles o empresário Tito Uchôa. O corregedor chegou a ouvir Lyra em depoimentos colhidos em Alagoas, em uma das diligências do senador durante as investigações da corregedoria sobre as denúncias.

Peres afirmou que pretende concluir as investigações do terceiro processo até 2 de novembro --prazo dado pelo movimento suprapartidário para o Conselho de Ética concluir todas as investigações contra Renan. Se o prazo for descumprido, o movimento --formado por senadores de oposição e da base aliada-- ameçam paralisar os trabalhos no Senado. "Vou tentar dar um resultado até o dia 2, mesmo sendo Dia de Finados", disse rindo.

Busca por relator

02.out.2007/Folha Imagem
Depois de tentar emplacar Lima em duas relatorias, Quintanilha (foto) escolheu Peres
Depois de tentar emplacar Lima em duas relatorias, Quintanilha (foto) escolheu Peres

Quintanilha adiou: por diversas vezes a escolha do relator do terceiro processo. Ele chegou a repassar a relatoria dos terceiro e quarto processos para Almeida Lima (PMDB-SE), aliado de Renan. Ele teve de voltar atrás e separar a relatoria após a repercussão negativa da escolha de um aliado de Renan para os dois casos.

Inicialmente, Quintanilha quis buscar um relator mais alinhado com a "tropa de Renan" e evitar um nome da oposição. Para evitar novos desgastes e com a recusa de vários senadores ao convite para relatar o caso, ele foi obrigado a escolher Peres --que vota com a oposição apesar de seu partido integrar a base de apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Folha Online apurou que Peres é um



Escrito por christian theodore às 14h10
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   a vanguarda agora é tecnobrega!

27.3.07

Tecnobrega - o que as gravadoras têm a dizer?

o que é isso: um modelo de negócio. open business. sistema emergente e descentralizado. músicos disseminam faixas via rádios e camelôs em Belém do Pará. as mais tocadas rendem apresentações para as bandas.

perceba: um grupo musical ou DJ grava em estúdio caseiro quatro músicas, sendo que tres são agitadas e uma, romântica. mandam esse material para as rádios e para 'aparelhos', que são grupos que produzem shows. as músicas que 'pegam' são compiladas por camelôs e vendidas nas ruas. um cd custa R$4, um dvd, R$10.

o camelô indiretamente participa da divulgação da banda. ele é o termômetro. as bandas que vendem bem são convidadas pelos aparelhos para fazerem apresentações. e daí é que vem o dinheiro para os músicos.

a matéria saiu hoje (para assinantes uol/folha) no caderno ilustrada da folha de sp, para anunciar a conclusão de um estudo sobre open business realizado pela fgv rio.

O tecnobrega é a música mais ouvida no Pará. Em Belém, esse mercado é formado por 73 bandas; 273 aparelhagens (equipes de som que realizam as festas de tecnobrega); e 259 vendedores (de CDs e DVDs) que trabalham nas ruas da cidade.
o cinema nigeriano e a cena anarcopunk da Colômbia estão entre os analisados pela FGV.
Voltada totalmente para o mercado de DVDs, a Nigéria tornou-se o principal produtor de longas do mundo, com cerca de 1.200 filmes/ano (Hollywood faz a metade disso). Os filmes, que custam entre US$ 30 mil e US$ 100 mil, são vendidos em DVDs nas ruas, por US$ 3. É a segunda fonte de empregos no país, atrás apenas da agricultura.
leia aqui uma matéria recente publicada também na Folha com o advogado Ronaldo Lemos, de 28 anos, que fez mestrado em Harvard (EUA) sobre o tema, doutorado na USP, e é o único latino-americano entre os nove integrantes da cúpula do Creative Commons.



Escrito por christian theodore às 14h07
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Cineasta defende redes alternativas de difusão cultural

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A divulgação da diversidade cultural vive um paradoxo no Brasil: enquanto a maioria da população não reconhece a riqueza das manifestações culturais do país e prefere produtos nos modelos norte-americanos, paralelamente são criadas redes alternativas de divulgação de CDs e filmes nacionais.

A avaliação é do presidente da Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural (CBDC), Geraldo Moraes, que participou durante esta semana do Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural, em Brasília.

A coalizão reúne músicos, cineastas e editores de livros. Segundo Moraes, 85% do mercado mundial é dominado por filmes norte-americanos, enquanto cinco grandes transnacionais controlam mais de 70% dos registros musicais.

No Brasil, segundo o cineasta, multiplicam-se as pequenas gravadoras e os mecanismos de produção e distribuição independente, na contramão dessa corrente mundial: “Fora dos shoppings, em todas as regiões do Brasil e do mundo, as novas tecnologias permitem maior disseminação dessa produção, porque os equipamentos digitais estão cada vez mais baratos e acessíveis à população".

Esse modelo, “mesmo desorganizado”, mantém o mercado musical do sertanejo e do chamado tecnobrega, citou. O tecnobrega é mais difundido no estado do Pará, por meio dos camelôs, que vendem os discos a preços populares. Os artistas, lembrou Moraes, não ganham dinheiro com a venda direta do material, mas com a realização de shows – o público é atraído pelo que ouve nos discos.

Na avaliação do cineasta, iniciativas como essas atuam na promoção da diversidade cultural. “E mesmo que as pessoas que atuam nessa realidade não entendam o que estão realizando, elas ajudam a divulgar padrões musicais nacionais", completou. Ele citou como exemplo grupos musicais que, de tanto ouvir músicas em inglês, não conseguem compor em português. E as produções que “sofrem a influência de padrões de filmes e novelas norte-americanos". "É uma castração da criatividade”, lamenta.

A cultura brasileira, acrescentou, só será valorizada quando a população entender que se trata de uma questão de identidade. No caso de mídias dispendiosas, como o cinema, segundo ele, a chave é encontrar formas de diminuir os custos de produção e desenvolver redes de divulgação fora do circuito das grandes salas.

“Enquanto estivermos ligados a padrões americanos, como ficar dentro de um shopping a 17 graus, achando que está em Nova York, em vez de abrir a janela e sentir o ar fresco, não conseguiremos realizar nada”, afirmou o cineasta.




Escrito por christian theodore às 14h03
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   pesquisas sobre o tecnobrega

TecnoBrega: Se essa moda pega...
Cecilia Giannetti - Portal Literal

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Seminário Cultura Livre, Negócios Abertos propõe novos modelos de negócios e apresenta os números de um mercado que 'corre por fora': o tecnobrega.

Uma recente paixão de Hermano Vianna é também a mania de um sem número de brasileiros. Ou melhor: de um grupo de brasileiros que, até a apresentação dos resultados de uma pesquisa ontem, na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, não se sabia quantos eram, quanto movimentam em seu mercado e como estavam divididos.

Durante o seminário "Cultura Livre, negócios abertos", a Fundação Instituto Pesquisas Econômicas e a FGV divulgaram, ao lado de Hermano, o "Tecnobrega: características de mercado - economia, propriedade intelectual e indústria cultural", um estudo sobre o gênero que hoje domina o Pará, com um mercado carregado de características que apontam para um novo modelo de negócios.

O trabalho de campo realizado pelas fundações entre 20 de agosto e 20 de setembro de 2006 mapeou toda a cena cultural do tecnobrega. Fortemente baseado na divulgação, valorizando as apresentações ao vivo de bandas, aparelhagens (equipes de som) e DJs, o tecnobrega tem nessas festas sua maior fonte de receita, e não na venda de conteúdo (CDs, DVDs).

Os camelôs que vendem cópias "piratas" não são vilões nessa história; são divulgadores do trabalho de seus principais artistas e fortes aliados de quem produz cultura. As bandas e aparelhagens incentivam as vendas de CDs e DVDs pelos vendedores de rua. Mas nem todo o mercado é informal: uma parte da cadeia do tecnobrega paga impostos regularmente (casas de show, aparelhagens, estúdios, entre outros).

O gênero musical que toma por base a música brega produzida em Belém do Pará e gravada com recursos eletrônicos e softwares baixados gratuitamente na internet, e toda a cultura construída em torno dessa música, indicam caminhos diferentes para distribuição e comercialização de produtos culturais.

"O brega floresceu primeiro no Goiás de Amado Batista, depois foi passear no Pernambuco de Reginaldo Rossi e acabou montando seu mais recente quartel-general no Pará. Na Belém pós-lambada, a cada ano são lançados mais de 2.000 discos diferentes de brega, em muitas gravadoras independentes," já explicava Hermano em 2003, muito antes da pesquisa.

Hoje, nesse mercado, os músicos não têm gravadoras, nem arcam com custos de prensagem os discos, impressão das capas ou distribuição de CDs e DVDs. Quem arca com essas despesas é o camelô. Segundo Hermano, o tecnobrega teria assumido a pirataria como forma de divulgação. De acordo com a pesquisa revelada esta semana, o faturamento médio do mercado de vendedores de rua com a venda de CDs e DVDs de tecnobrega está em torno de R$ 1 milhão e R$ 745 mil, respectivamente.

A autoria das músicas não é algo importante para quem cria tecnobrega; não no sentido que o mercado fonográfico reconhece. É comum o autor/intérprete incluir seu nome na letra da música, mas não se preocupa com direitos autorais. As sociedades de arrecadação de direitos autorais, inclusive, não têm controle sobre o que é tocado pelas aparelhagens nas festas nem pelas rádios (aonde o tecnobrega chegou por força da insistência do público; o que, num veículo dominado pelo jabá, é surpreendentente).

Trata-se de uma nova indústria fonográfica, que em nada lembra a antiga forma de produzir e comercializar esses produtos: um novo modelo de Open Business, tema central da programação do evento capitaneado pelo Overmundo na FGV. Christian Ahlert - que encabeça a Creative Commons na Inglaterra e é membro do centro de pesquisas sobre o Brasil em Oxford - apresentou sua organização Open Business, trazendo conceitos de colaboração descentralizada que se aproximam do modelo do mercado de tecnobrega.

"O que o Open Business quer atingir é a troca de conhecimentos, deve funcionar como uma plataforma de idéias para o desenvolvimento de quaisquer negócios. A idéia é que as pessoas possam se inscrever no site e oferecer suas sugestões de modelos de negócios a outras pessoas que poderão usá-los em qualquer parte do mundo," explicou Ahlert. Como no tecnobrega, a velha noção de autoria desaparece para dar lugar à colaboração.

Ah, se a moda pega no mercado editorial...

[Veja aqui fotos das festas de aparelhagem, por Henrik Moltke]



Escrito por christian theodore às 14h02
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   viva o tecnobrega!

Viva o Tecnobrega!
Henry Burnett · São Paulo (SP) · 16/4/2006 14:51 · 48 votos · 4 comentários ·  
 
1
overponto
Acerca da pré-história da modernidade muito ensinaria a análise da mudança de significado sofrida pela palavra sensação (...). Ela se transformou no grande desconhecido e, finalmente, na excitação maciça, na embriaguez destrutiva, no choque como bem de consumo. Ser ainda capaz de perceber alguma coisa, sem se preocupar com a qualidade, substitui a felicidade porque a onipotente quantificação tirou-nos a própria possibilidade de perceber.
T. W. Adorno, Minima Moralia.


Finalmente nós paraenses já podemos nos orgulhar de nosso Estado e de nossa gente. Nos últimos meses, diante de milhões de telespectadores, a Banda Calypso freqüenta os programas mais assistidos das maiores emissoras do país. O Anormal do Brega já foi no Jô, o Wanderley Andrade estava em cadeia nacional. De verdade! Não é um projeto social qualquer, não é uma tragédia, não matamos nenhuma missionária americana, não fuzilamos os sem-terra, não batemos um novo recorde por assassinato na luta agrária, de jeito nenhum, somos nós mesmos, inteiros, cantando e rebolando para todo mundo ver quem somos de verdade e como é animada nossa música e nossa cultura.

Não precisamos mais nos envergonhar de nossa condição de atrasados, índios e preguiçosos, saímos da condição de pobres da periferia do país para o lugar de estrelas. Podemos ser vistos em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador, de ponta a ponta do Brasil, todos podem ver o que é um paraense, contrariando o que os preconceituosos de São Paulo e do Rio sempre acharam: que éramos parte do atraso do país e que eles – os paulistas – tinham que trabalhar dobrado para que nós pudéssemos dormir depois do almoço. Humilhação nunca mais.

Críticos de música, produtores, antropólogos, todos elogiam o Tecnobrega como um momento maravilhoso da música paraense, junto com o funk carioca, o hip-hop paulista, a tchê music gaúcha, o lambadão mato-grossense, o forró amazonense e toda a música das periferias das grandes cidades. É de verdade, não estamos diante de uma enganação da mídia. Vocês não viram no Fantástico?

Nós seremos lembrados como aqueles que conseguiram enganar as grandes gravadoras, vendendo milhões de cópias nas barbas de um empresário fonográfico embasbacado, que não sabia onde ficava Belém no mapa do Brasil. o Brega, quer dizer, o Tecnobrega – afinal já somos modernos – vai invadir tudo. Só se fala nisso. Podem bater no peito e gritar: é Pará isso.

No final da década de 60 o Brasil descobriu um outro momento desse ser amazônico: Paulo André, Rui Barata e Fafá de Belém. Nossa música também circulava livre e nacionalmente. Fafá era uma estrela ascendente enquanto Paulo e Rui jogavam alto no quesito letra e música. Nenhum nome das gerações posteriores chegou tão longe. Eu tinha orgulho de conhecer de perto compositores como Vital Lima, Paulo Uchoa, Edir Gaya, Walter Freitas, Ronaldo Silva, Gilberto Ichihara e tantos outros, tão próximos, tão vivos... hoje entendo um pouco melhor o percurso de nossa mais popular cantora. Entendi que ela trocou a música da Amazônia pela opção da diversidade mercadológica. Décadas depois de um silêncio tumular, a popularidade da dupla Joelma/Chimbinha é incomparável. O Pará é, novamente, foco das atenções.

O grande mérito do Tecnobrega não diz respeito à qualidade da música – quem os celebra não entra nesse mérito –, mas à capacidade de ter nascido avesso às gravadoras (ver texto de Pedro Alexandre Sanches, “A música fora do eixo”, Carta Capital, n° 380). No entanto, ironicamente, por que as emissoras abertas levam a Banda Calypso pra tocar no horário nobre da TV, que todos sabem que trabalha em conluio com as gravadoras? Os mecenas Faustão, Gilberto Barros, Gugu, Luciano Huck descobriram repentinamente como é boa a fusão do Caribe com a Amazônia? Por que Regina Casé ganhou um quadro no superalternativo Fantástico pra tentar provar que só os chatos não gostam dessa música que brota livre nas periferias? Resposta: porque se essa música não tivesse passado por um processo de adequação, de pasteurização, de uniformização ela jamais tocaria na TV. Para 90 % das grandes corporações de mídia televisiva brasileira só interessa música ruim, é assim há pelo menos duas décadas.

Quando o Brega começou a tomar conta de Belém e se sobrepor ao Axé, todos os méritos deviam ser dados. Mas louvável era a consciência que os bregueiros pareciam ter da extensão de sua música. O axé-music sempre se levou a sério, com o aval de medalhões da MPB. Os bregueiros não, sempre foram especialistas na auto-ironia, no riso-de-si. A Banda Calypso guarda essa auto-ironia, não é possível que o figurino da Joelma... bem... eu ouço Brega quando quero lembrar do cheiro do interior, do clima erótico da cidade em que nasci, da graça impagável das letras. Não se trata aqui de uma crítica negativa ao Brega, todos nós cumprimos um papel, o Brega também. Trata-se de uma tensão necessária, para evitar que a gente comece a achar normal a necessidade de torcer e sentir orgulho até da Thaís do Big Brother porque ela é paraense.

Se a música comercial não pode mais ser boa - sim, porque já foi um dia -, então toda essa música se justifica como um grito social. Mas, o deslumbramento de pessoas do meio musical com essa música me causa grande espanto. Confesso não perceber quão grandiosa ela é, moderna e antenada. Devo estar perto demais.

Por fim: já se pode ir a uma bregão de aparelhagem na Assembléia Paraense? Estão esperando o quê?! Precisamos fazer como o funk carioca, que vê a nata da sociedade se acabando na pista, numa quebra das barreiras sociais. Ainda que no fim da festa os bem criados voltem para casa de Mercedes Classe A e durmam em cama branca com ar condicionado, enquanto a moçada da perifa espera o busão.

Isso não interessa não é mesmo? Questão menor diante da alegria de ser brasileiro, de ser paraense.

Henry Burnett
texto publicado no jornal O Liberal, fev 06

tags: Rio de Janeiro RJ musica diversao




Escrito por christian theodore às 13h51
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   Que confusão foi essa hein?

08/10/2007

Rolex de Huck dá lição de jornalismo

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Está gerando interesse na mídia a monumental repercussão, verificada pelo número de cartas enviadas à Folha, sobre o artigo do apresentador Luciano Huck, no qual relatou como foi vítima de assalto em que levaram seu Rolex. Raras vezes um artigo, publicado neste espaço nobre da página 3, produziu tanto barulho. Existe aí uma dica sobre jornalismo.

Tirando o fato de Huck ser uma celebridade, há uma tendência, visível em todo o mundo, de maior valorização do local, do cotidiano, do que está mais próximo do consumidor de notícias. Talvez, quem sabe, seja até uma reação à impessoalidade da globalização. No caso do Brasil, ainda temos uma agravante: o noticiário de política está insuportável, limitado, essencialmente, a denúncias de corrupção e articulações sucessórias distantes. É como se fosse uma mesma novela sem fim, na qual já confundimos todos os personagens.

O relógio de Huck é, neste caso, mais do que um relógio. Traduz a insegurança, o caos urbano, a desigualdade social, o desemprego, a impunidade, a educação, a falta de democracia e a miséria. Os leitores estão sedentos para discutir esses temas, mas menos pelo que vem embolado de Brasília e mais pelo que sai das ruas.

Tenho visto jovens, muitas vezes acusados de alienados, despertarem rapidamente para o debate sobre coisas públicas quando a política se traduz em seu cotidiano, trazida de forma apropriada para sala de aula.

Um dos problemas de nós, jornalistas, é que vivemos muito no meio de jornalistas.

*

Em nada me interessa o trabalho televisivo de Luciano Huck, acho mais uma daquelas bobagens midiáticas para os jovens. Sobre seu projeto de inclusão de jovens, promovida pelo Instituto Criar, é de ótima qualidade --e um exemplo de responsabilidade individual.

De resto, a lei é feita para proteger ricos e pobres. Não se pode roubar um Rolex de um milionário nem o leite de uma mulher que sai da padaria nem a moto de um motoboy.

Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às terças-feiras.


Escrito por christian theodore às 08h00
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   Samba carioca vira patrimônio cultural!

09/10/2007 - 20h09
Samba carioca vira patrimônio cultural do Brasil



Alaor Filho / Agência Estado

Luiz Fernando de Almeida, o sambista Nelson Sargento e a neta de Cartola, Nilcemar Nogueira, no RJ

Luiz Fernando de Almeida, o sambista Nelson Sargento e a neta de Cartola, Nilcemar Nogueira, no RJ


Rio - O samba carioca tornou-se hoje Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, sob registro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Sambistas da velha guarda, como Nelson Sargento e Monarco, comemoraram e lembraram dos tempos que o sambista era perseguido e tachado de malandro. "O samba é finalmente cidadão brasileiro com todas as letras", alegrou-se Sargento. A votação aconteceu hoje no Rio e a aprovação foi por unanimidade.

O presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, lembrou que a conquista servirá para salvaguardar essa forma de expressão, que foi dividida em três matrizes - o samba de terreiro, o partido-alto e o samba-enredo. "Alguns ingredientes do samba estão desaparecendo, como a cuíca. Outros, precisam ser documentados, como o partido-alto. Tornando-se patrimônio cultural, o samba poderá ter políticas públicas voltadas para ele, em cima de pontos específicos", explicou Almeida.

O Iphan tem outros 11 Patrimônios Culturais Imateriais, entre os quais o samba de roda do Recôncavo Baiano, o Círio de Nazaré, no Pará, o jongo do Sudeste, o Tambor de Crioula do Maranhão, o Frevo pernambucano e o Ofício das Baianas de Acarajé. Os patrimônios imateriais são aqueles que denotam a forma de pensar e ver o mundo, as cerimônias, danças, artesanatos.

A iniciativa de dar reconhecimento ao samba partiu de um pedido do Centro Cultural Cartola, com apoio da Associação das Escolas de Samba e da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa).

Talita Figueiredo



Escrito por christian theodore às 07h59
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